Retorno

14 maio

Deu saudade de escrever hoje, e acho que já faz alguns muitos anos que não posto nada no meu site! Quanta coisa aconteceu durante esse tempo: crianças cresceram, bebês nasceram, pessoas queridas faleceram… e a pandemia do COVID chegou, em 2020, e não quer saber de ir embora! Eita mundo doido esse nosso! A gente aqui esperando o calor finalmente chegar, mas Ontario continua em lockdown, tão triste tudo isso…

Mas vamos focar nas coisas boas. Semana passada teve mais um Dia das Mães e fui tãããão paparicada aqui em casa! Tão bom ganhar café da manhã na cama, presente do marido e dos fihos, cartões com palavras lindas e muito amor. É, acho que estou conseguindo ser uma pessoa melhor, pelo menos um poquinho melhor. Afinal, é para isso que viemos neste mundo, para evoluir, aprender, amar e ser amados.

Mais coisas boas: adotei um estilo de vida bem mais saudável, com exercícios físicos diários (quem diria que eu ia gostar de correr???), comidinhas nutritivas e gostosas, meditação, estudo espírita e muitas horas curtindo a família e os amigos. Tendo o corpo e a mente saudáveis é garantia para ter uma vida feliz, de muito amor e evolução.

Ah, como poderia esquecer? Agora temos um gatinho, lindo que só! Nosso Gray é muito especial e veio para completar nossa família e nos ensinar ainda mais a importância de cuidarmos uns dos outros.

Fico por aqui, mas em breve retorno.

Ser mãe

14 maio
Refletindo no Dia das Mães, me pego tentando definir o que é ser mãe. Certamente, é a tarefa mais difícil e desafiadora que já tive em toda minha vida, algo que nunca antes de me tornar mãe imaginei como pudesse ser.
Alguns pontos da minha humilde reflexão de uma mãe, digamos, ainda novata e pouco experiente sobre o que é ser mãe:
  • Aprender a dormir o sono mais interrompido do universo e conseguir se adaptar e achar que nem é tão ruim assim;
  • Perder a vergonha de tudo e de todos, depois de parir, amamentar, trocar fraldas recheadas dos mais diferentes cocôs e xixis, ver, sentir e limpar os mais desagradáveis e inusitados vômitos, e não achar que é o fim do mundo e até dar risada de tudo isso;
  • Aprender as histórias, as músicas e os nomes dos personagens e filmes preferidos dos seus filhos e brincar muito com eles;
  • Ouvir as mais doces e sinceras palavras de seus pequenos dizendo que te amam, mas que também percebem que você está ficando um pouco velhinha e mais gordinha;
  • Perceber o quão inteligentes as crianças são e se surpreender todos os dias com as lições de vida e de amor que elas te dão;
  • Ouvir a palavra “mãe” ou “mamãe” 500 vezes por dia e ter capacidade de responder “o que” em todas elas, mesmo quando seu cérebro já não consegue mais processar nenhuma informação;
  • Aprender finalmente a ser filha e entender todos os conselhos que sua mãe te deu durante toda a sua vida e compreender todos os momentos de desespero que ela passou ao te criar;
  • Respeitar todas as mães do mundo e ter solidariedade por elas;
  • E pedir a Deus que te ilumine para que saiba guiar seus filhos pelos caminhos do amor, da paz, da humildade e da perseverança.
Feliz Dia das mães!
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Nossa língua portuguesa

25 abr

A gente sempre comenta da importância de falar português com nossos filhos, para manter a língua materna, afinal o inglês ou outra língua local eles vão aprender na escola e com os amigos rapidamente. Mas e ler e escrever português? Isso provavelmente eles não vão aprender, se a gente não ensinar em casa ou em algum curso de língua portuguesa.

Pra mim sempre fica esse pensamento: ok, meus filhos falam e entendem português perfeitamente, mas será que vão conseguir se comunicar por escrito em português? Ou seja, como faço para alfabetizá-los em português? O português é uma língua tão difícil, e todos os cursos que encontrei por aqui não dão aula de alfabetização, eles focam em vocabulário e cultura brasileira (ou portuguesa).

Outro ponto que nunca saiu da minha cabeça foi a questão da letra manuscrita, ou cursiva, como alguns chamam. Aqui no Canadá as escolas não ensinam a escrever com esse tipo de letra; só mesmo a letra de forma ou bastão (estilo essa do computador). Tudo bem, hoje em dia a maioria dos textos é impresso com essa letra bastão, mas e quando eles forem ler um bilhete meu ou qualquer outro texto que seja escrito em letra cursiva? Não vão entender nada?

Puxa, quando eu fui alfebetizada no Brasil, as professoras gastavam horas e horas dando aula de caligrafia, depois a gente treinava em casa, pois queria ter a letra mais bonita da classe… Escrever uma palavra inteira sem tirar o lápis do papel, eu acho o máximo!

Resolvi então ensinar a minha filha, em casa mesmo, e comprei livros de atividades e cadernos de caligrafia (a vovó também deu muitos livros e cadernos para ela). Também ensinei ela a juntar sílabas, acentuar as palavras, e várias outras regrinhas das nossa língua portuguesa. Começamos com 3 anos de idade, hoje ela tem 7 e vejam abaixo a surpresa que ela me fez!

Fica a dica: as crianças são capazes de aprender tudo, basta encontrarmos as ferramentas certas para ensiná-las.

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Centro x subúrbio

4 jan

Aqui no Canadá a discussão sobre morar no “centro” (no nosso caso, Toronto) ou no “subúrbio” (que para nós seria o ABC ou interior de São Paulo) é constante. Canadense que é canadense mora em casa, e não em apartamento, e portanto geralmente não mora no centro, onde há muito mais apartamentos do que casas – e as casas que existem ou são pequenas e velhas ou são grandes e velhas, mas sempre muito caras. Toronto, principalmente downtown, com seus arranha-céus super modernos, é para os recém-chegados, estudantes, solteiros ou casais sem filhos.

Claro que toda regra tem sua exceção, e tudo depende da sua cultura e personalidade, mas no geral é assim que realmente as coisas funcionam por aqui. Não dá para fugir muito disso, a não ser que você seja bem rico e possa comprar e reformar uma casa na região do High Park – mas, mesmo assim, vai ter que ter paciência para enfrentar o trânsito e o tumulto de downtown.

Eu nasci e cresci em São Paulo, e sempre morei em apartamento. Super prático e seguro. Fácil de limpar, você entra e sai pela garagem e corre menos risco de ser assaltado; quando viaja, é só trancar a porta de casa e pronto! E em São Paulo eu tinha tudo ao meu alcance – restaurantes, cinemas, teatros, shoppings, casas de shows, escolas, faculdades e “as melhores empresas para se trabalhar”. O único “detalhe” é que eu odiava o trânsito e tinha pavor de ser assaltada (já tinha sido 3 vezes).

Quando cheguei no Canadá, não tive dúvida: fui morar num apartamento em downtown e, como a cidade era segura e tinha transporte público de qualidade, nem pensei em ter um carro. Andei 3 anos a pé e de metrô, na maior alegria, debaixo de sol, chuva, vento ou neve. Explorei todos os cantos de downtown, inclusive o PATH (caminhos subterrâneos super úteis no inverno). E o apartamento era super fácil de limpar, além de ter uma vista linda para o lago e para a CN Tower. E quando eu precisava viajar, erá só bater a porta e pronto!

Só que aí decidimos ficar mais tempo no novo país. A qualidade de vida e a segurança nos motivaram a não voltar ao Brasil, como tínhamos planejado no começo. E então veio a discussão se não seria melhor nos mudar para uma casa no subúrbio. Eu não queria, adorava o centro, o agito, a bagunça e o movimento das ruas. Lá eu não me sentia sozinha, porque estava cercada de lojas, restaurantes, cinemas, teatros, pontos turísticos e amigos que trabalhavam ou moravam por ali. Por outro lado, com dois filhos o espaço estava ficando pequeno dentro do apartamento… Minha sala já tinha virado uma brinquedoteca e, além disso, precisávamos de mais um ou dois quartos para acomodar bem as crianças e nossos familiares quando viessem nos visitar.

Como eu trabalho em esquema “home office”, a distância de Toronto não me afetaria e, melhor ainda, eu teria mais espaço para montar meu escritório. E como o marido disse que não ligava em ter que ir para o centro todos os dias para trabalhar, poi pegaria o trem, que é super rápido e confortável, resolvemos comprar uma casa no subúrbio, numa cidade gracinha chamada Oakville, que fica a mais ou menos 30 km de downtown.

Este mês vai fazer 1 ano que nos mudamos para a casa de Oakville e estamos curtindo muito tudo por aqui. Confesso que ainda sinto saudades de Toronto, da vista do apartamento, de andar a pé pelas ruas movimentadas do centro, de caminhar à beira do lago, de ver a CN Tower todos os dias. Vou lá sempre que posso. Mas em questão de conforto, espaço e privacidade, não dá para comparar: morar em casa “no interior” é muito melhor, mais tranquilo e mais aconchegante. E as crianças estão mais felizes, podem brincar na rua, espalhar seus brinquedos no basement da casa, fazer o quanto de barulho quiserem, chamar seus amiguinhos para brincar a qualquer hora. Uma infância que eu não tive, não conheci, mas que me parece mais divertida e saudável.

Tem muitos outros pontos a comparar entre casa x apartamento, principalmente em relação ao trabalho de limpeza interna e externa (no inverno, a neve; no outono, as folhas; no verão, a grama; na primavera, as flores do jardim), mas é tudo tão prático de se fazer que acaba virando uma diversão – ainda mais quando seu marido curte cuidar da casa :-)! E quanto a andar a pé, de fato não dá pra fazer quase nada sem carro por aqui, pois as distâncias são maiores, mas como não tem trânsito isso também acaba sendo irrelevante.

Enfim, me rendi ao estilo de vida canadense, e posso dizer que estou gostando! Para mim, o importante na vida é estar aberto a mudanças, conhecer realidades diferentes, experimentar o novo, e saber que o bom e o ruim, o melhor e o pior, o certo e o errado são sempre relativos e dependem de cada fase da sua vida.

 

Amigos

3 jan

Nos últimos 3 ou 4 anos aprendi o verdadeiro valor dos amigos. Tendo crescido numa família grande, cercada por pai, mãe, irmão, primos, tios, tias, avô, avós, cachorro, periquito e papagaio, o tempo para os amigos acabava ficando curto demais. Os compromissos com a família eram sempre muitos, afinal toda semana tinha aniversário, formatura, batizado, casamento, chegada ou despedida de alguém, depois Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal, Reveillon… E assim mais um ano se passava, e começava tudo de novo. E a família estava sempre lá, para o que desse e viesse, nas horas felizes e tristes, te apoiando e te salvando sempre.

Até que veio a mudança de país. Primeiro, a sensação de liberdade, independência, de finalmente fazer tudo do nosso jeito, de ter o nosso espaço, nossa casa, nossa rotina e nosso próprio planejamento de vida. Depois, o medo de enfrentar tudo sozinhos, sem o apoio de ninguém da família. O vazio dos finais de semana sem compromisso, a falta de alguém para compartilhar nossas conquistas, contar nossas aventuras e nossas histórias felizes ou tristes. Tudo novo, diferente, desconhecido. Se um filho ficasse doente, não ia ter nenhuma tia ou avó para ajudar a cuidar dele. Se um de nós, ou os dois, ficássemos doentes então, não ia ter mãe, tia ou avó que preparasse aquela canja de galinha especial. Quem nos salvaria, então?

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Foi aí que percebi a importância dos amigos. Ah sim, os amigos! Novos, diferentes,  desconhecidos, mas sinceros, solidários e cheios de amor para dar e receber. Amigos que nos trariam canja de galinha quando ficássemos doentes, amigos que carregariam nossa mudança nas costas quando fôssemos nos mudar para uma casa nova, que cuidariam dos nossos filhos quando precisássemos fazer coisas ou ir a algum lugar sem eles, que nos dessem dicas e nos mostrassem os caminhos mais fáceis de chegar aonde precisávamos, que nos dessem palavras de apoio e incentivo quando nos sentíssemos fracos e cansados, que nos fizessem companhia em nossos aniversários, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal e Reveillon… E que também nos deixassem ajudá-los quando precisassem e nos recebessem em suas casas e festas de aniversário de braços e corações abertos e que, principalmente, nos fizessem aprender a respeitar as diferenças e a olhar e a cuidar mais do próximo.

Amigos que são, hoje, a nossa nova família! Que preenchem boa parte da nossa alma e diminuem imensamente a saudade constante que sentimos da nossa família, mas que também aumentam a saudade dos nossos amigos de infância, adolescência e trabalho, que viveram centenas de momentos especiais conosco e que gostaríamos muito que estivessem ao nosso lado de novo.

Ah, os amigos…

Meu Brasil brasileiro

5 ago

O Brasil tem sido foco de muitas notícias este ano, seja por conta dos escândalos políticos, crise econômica, zika, e agora as Olimpíadas, que começam hoje no Rio de Janeiro. E eu aqui tão longe de corpo, mas ao mesmo tempo tão perto de alma, do meu Brasil brasileiro. Muitos dias eu tenho o coração apertado de saudade de um tempo que está ficando (ou já ficou?) para trás, de lugares que eu conhecia como a palma da minha mão, de gostos e sentidos tão familiares. Saudade de quem tanto amo nesse mundo, das minhas comidas prediletas, músicas, histórias… E saudade antecipada do que vou perder nos próximos meses e anos, principalmente a chegada e a partida de tantas pessoas.

Essa mistura de sentimentos é inexplicável, mas muito forte. É difícil ouvir que o seu país não é um lugar bom, afinal a gente nunca admite que os outros falem mal das nossas coisas. Mas também não dá para fechar os olhos para a realidade de violência e corrupção, entre tantos outros problemas que existem por lá. Mais complicado ainda é querer ensinar aos seus filhos tudo o que você aprendeu nos mais de 30 anos de vida no Brasil (para que eles sejam também brasileiros de verdade), sem esconder o lado ruim, mas tentando evidenciar o que há de bom e, principalmente, não deixando morrer a nossa língua portuguesa, o folclore, a cultura, a música e a nossa História.

Então, aí vou eu mais uma vez visitar meu Brasil, minha São Paulo, e relembrar as coisas boas e ruins. Reclamar do trânsito e de tantas outras coisas que me deixavam furiosa no dia-a-dia, mas ao mesmo tempo curtir a comida e, principalmente, a boa companhia da família e dos amigos, a alegria de estar junto a eles mais uma vez, de poder tocar em cada um deles, conversar ao vivo e trocar olhares e energia.

Canadá, pode me esperar que eu volto rápido, afinal tenho que aproveitar o final do verão, não é mesmo? E não tenha ciúme do Brasil, Canadá, porque também te amo muito, de qualquer jeito: com neve ou com sol, com frio ou calor, com pimenta ou sem pimenta. Mas meu Brasil brasileiro vai estar sempre dividindo (com certa vantagem) meu coração com você.

 

Escolhas

8 dez

A gente faz escolhas o tempo todo, das mais banais às mais complicadas. Às vezes a gente escolhe uma coisa simplesmente porque gosta, tem vontade. Outras vezes, a gente acha que aquilo é o que deve ser feito, é o certo ou vai ser bom para o nosso futuro. Tem vezes também que a gente faz uma escolha para agradar alguém, ou ainda porque, comparando com as outras opções, aquela é a melhor. E, finalmente, tem os casos em que a gente faz uma escolha por não ter outra opção.

Mas todas as escolhas acabam trazendo aquela pontinha de dúvida: será que ela foi realmente a melhor? E se eu tivesse escolhido a outra, ou simplesmente decidido ficar com o que já tinha antes, será que teria sido melhor ou pior?

O cérebro tem um mecanismo de autodefesa que nos faz desenvolver argumentos para nos convencer – e convencer os outros – de que a escolha que fizemos foi realmente a melhor. E funciona: isso realmente faz a gente se sentir melhor – ou menos culpado – e até esquecer de que poderia ter feito outra escolha. Mas tem escolha que teima em ficar lá, no fundinho do nosso pensamento, querendo toda hora que a gente lembre dela.

Esses dias mesmo eu pensei nos meus bisavós, que nem mais vivos são e que imigraram há não sei quantos anos – mais de 100, com certeza – da Europa para o Brasil. Às vezes também penso nos refugiados dos países em guerra. Será que eles se perguntavam se tinham feito a escolha certa quando decidiram imigrar para outro país? Ou será que foram por não ter mesmo outra opção? Ou por achar que aquilo seria bom para o futuro, o mais correto a fazer?

Será que eles morriam de saudade de quem deixaram para trás, das comidas e dos lugares que mais gostavam? Será que se sentiam culpados, tinham algum medo? Ou será que a vontade de fugir da guerra, da pobreza, de ter uma vida melhor e, principalmente, proporcionar um futuro melhor aos seus descendentes, supria tudo isso?

E, no final da vida, ou de alguma etapa da vida, será que acharam que a escolha valeu mesmo a pena ou se arrependeram dela, mas não contaram para ninguém?

Eu tenho medo. Medo de fazer a escolha errada e de não poder mais voltar atrás. E tenho saudade, muita saudade de quem deixei para trás.

 

 

 

Vitória!

21 out

Tem vários momentos na vida em que a gente comemora vitórias, mas raros são aqueles em que a vitória tem realmente um significado maior. Ontem foi um destes. Emocionante.

Uma garota carismática, inteligente, humilde, persistente, esforçada, carinhosa e muito amada provou que acreditar é vencer. Ela, mais do que qualquer outra pessoa, acreditou que poderia vencer. As inúmeras dificuldades que a vida lhe impôs nunca a fizeram desanimar e nem foram suficientes para fazê-la desistir de buscar a felicidade, de seguir em frente, de lutar pelo seu futuro e de manter, sempre, um sorriso lindo e muito alegre em seu rosto.

Esta flor é daquelas que se destaca no jardim. Ela não passa, e nunca vai passar, despercebida aos olhos de ninguém.  Ela não tem vergonha de ser feliz, de mostrar sua beleza, sua alegria de viver. Ela transborda amor e paixão pela vida.

Ela nos traz esperança e nos faz refletir, sonhar, sorrir e acreditar no lado doce da vida. Numa vida que ainda vai lhe trazer muitas outras vitórias e alegrias.

Continue sempre acreditando em você. Sucesso, pequena-grande Mirella!

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O meu dia

23 jun

No dia do aniversário a gente sempre fica mais reflexivo. Ri, chora, tem vontade de ficar sozinho, depois quer todo mundo perto. Recebe cartões, mensagens, telefonemas, beijos, abraços, carinhos e presentes. 

Quando eu era pequena, adorava fazer festa de aniversário, mas sempre batia aquele medo de ninguém da escola aparecer. Eu nunca fui popular, nem super extrovertida. Acho que era até bem tímida. Não jogava bem vôlei, nem basquete, nem handball, nem futebol. Acho que sempre fui meio mal humorada – talvez um pouco fechada -, não ria das piadas bobas dos outros, nem fazia (ou conseguia fazer) piada, não era de falar muito, preferia sempre observar a agir.

Mas minha mãe –  lembro direitinho – estava sempre me apoiando, me incentivando a fazer amigos, e se esforçava ao máximo para promover as festas do jeito que mais me agradasse. E meu pai sempre liberava o que a gente queria! Coitados, eu acho que eu era (ou ainda sou?) chata pra caramba! Já a família, essa não faltava nunca às comemorações – a lista de convidados sempre partia do mínimo de 20, como acontece até hoje.

Depois de alguns tombos e aprendizados na adolescência, fui me sentindo mais segura, me soltando mais, me aceitando melhor, gostando mais de mim mesma e conquistando a liberdade e a independência que sempre busquei. A profissão que escolhi me ajudou muito a liberar meu lado “comunicativo”, “cara-de-pau”, “político” e “aventureiro”, e hoje sinto que tenho muito menos barreiras para fazer o que preciso e o que quero.

O marido que escolhi, a filha que tive e as mudanças recentes no meu estilo de vida também me ajudaram a conseguir tudo isso. Me tornaram uma pessoa mais aberta, extrovertida, com menos preconceitos e talvez (espero) mais divertida. E, sem dúvida, mais livre e capaz de executar tudo com independência e mais segurança. 

 

Continuo observando mais do que falando, tendo pouco senso de humor, não sabendo contar piada, sendo às vezes dura por ser sincera demais, me esforçando para ser uma pessoa mais agradável e para superar minhas inseguranças. Mas me sinto mais feliz. Muito mais feliz. Ainda tenho medo de errar, mas quem não tem? Só que o medo não pode impedir a gente de tentar acertar.

Hoje não tenho 20 e poucas pessoas da família para cantar parabéns comigo. Muito menos 20 e poucos amigos. Não tenho meu pai, minha mãe e meu irmão aqui. Não tive isso também no ano passado. Mas estou feliz. Já ganhei vários presentes especiais este ano, dentre eles o mais especial: o meu filho Bruno, que trouxe para a minha vida mais alegria, esperança e amor. E vou cantar parabéns com ele, a Gigi, o André e a Fê. E quem sabe mais alguém que se juntar a nós pelo skype! E não vou ter medo de ninguém aparecer para a festa.

 

 

Mãe é mãe

5 fev

Só mesmo sendo mãe pra gente entender a nossa mãe e, mais do que nunca, querer ela por perto.

É impressionante como lembro da minha mãe, todos os dias, em cada situação que passo para criar a minha filha. Me pego repetindo dezenas de atitudes e frases da minha mãe, conselhos, explicações, respostas… Aliás, respostas é o que mais preciso ter para esclarecer todos os porquês da minha pequena de 3 anos de idade. Meu Deus, e como ela faz perguntas!

Alguns exemplos, só para ilustrar o repertório da senhorita Giovanna: Por que no frio a gente tem que pôr casaco pra não ficar doente? Por que no seu quarto tem um banheiro dentro e no meu não? Por que quando a pessoa não trabalha não tem dinheiro para ter uma casa? Por que as crianças têm que ir todo dia à escola? Por que eu tenho que dormir sozinha e você junto com o papai (se eu te adoro tanto, mamãe?)? Por que a gente mora no Canadá? Por que no Brasil as pessoas falam português e no Canadá falam inglês? Por que água faz a gente fazer xixi e comida faz fazer cocô?

Nossa, como lembro da minha mãe me explicando os porquês dos porquês, sem barreiras, sem segredos, sem mitos. Para ela, toda hora era hora de conversar, de aconselhar, de instruir. Ela nunca teve preguiça ou medo de responder a uma só dúvida minha e muito menos de mostrar o que ela achava que estava certo e errado.

Por isso é importante haver a presença da mãe (ou de alguém que a substitua) na criação de um filho. Muitos dos problemas e questionamentos dos adolescentes e adultos são fruto da “falta de mãe”. Mas não basta apenas ter uma mãe por perto; é preciso que ela participe de tudo, oriente seu filho e, acima de tudo, dialogue com ele. Não serve ser aquela mãe que fica a maior parte do tempo no celular, no laptop ou na TV, ou mesmo se ocupando dos afazeres domésticos, enquanto “alguém” cuida do seu filho – tem que pôr a mão na massa, dar banho, trocar, escovar os dentes, fazer comida, levar na escola, passear, ver desenho animado, montar quebra-cabeças, ler muitos livros, ensinar a rezar, passar noites em claro protegendo o filho de uma febre ou mesmo de um pesadelo, brigar para fazê-lo entender as consequências de seus atos. Esses momentos são únicos e essenciais para a formação do caráter dos pequenos. E não há satisfação maior em vê-los começando a fazer seus julgamentos e análises, tirando conclusões, fazendo descobertas – tudo com base no que a mãe (e o pai, claro) lhe ensinaram. Não que eles tenham que pensar e agir como nós, mas se usarem o que ouviram de nós para formular seus pensamentos e trilhar seus caminhos já vai estar bom demais.

Agora que a chegada do meu segundo filho está próxima, penso ainda mais na minha mãe. Desta vez, quero ela bem pertinho, me ajudando, me apoiando, aguentando minhas reclamações e ouvindo ainda mais todas as minhas aflições. Afinal, não é porque já sou mãe de um que não tenho medo de ser  mãe pela segunda vez. A angústia e a ansiedade são ainda maiores, porque sei bem todos os desafios que estão por vir. Tem vezes que o desconhecido é mais fácil de ser enfrentado…

Desta vez, quero deixar minha mãe me proteger, me dar conselhos, cuidar de mim, se intrometer na decoração do quarto do bebê, no tipo de parto que devo fazer, nos horários que devo amamentar, nas roupas que devo vestir nele, no que devo comer, o que devo falar e fazer, e tudo mais o que ela quiser! Há quem vá dizer que quero isso porque estou morando longe dela, que seu estivesse todos os dias perto eu ia enjoar de tanta “superproteção” e “palpite”. Ou seja, vão dizer que  a gente “só sente falta de alguma coisa quando não tem”. 

Pode até ser isso, mas pode ser também porque estou um pouco mais madura depois de 17 meses vivendo em outro país, sem ninguém para me ajudar nas horas do aperto (tirando alguns poucos e super queridos amigos e, óbvio, o maridão). Aqui não tem a “mamãe” ou o “papai” para adivinhar meus pensamentos e me trazer uma canja quentinha quando estou gripada, pra se oferecer de ficar com a minha filha enquanto vou ao cabeleireiro ou pra passar em casa com um pãozinho fresquinho quando a preguiça me impede até de pensar.

A vida real é dura e cruel. Mas tem suas recompensas e vantagens. No mínimo, nos faz crescer, nos fortalece e nos ensina a dar valor a quem e ao que realmente merece.